domingo, 12 de outubro de 2008

Capítulo I

Capítulo I
“Se quer tirar mel, não espante a colméia”.


O falecido John Wanamaker confessou certa feita: “Eu aprendi há trinta anos que é uma loucura a crítica. Já não são pequenos meus esforços para vencer minhas próprias limitações sem me amofinar com o fato de que Deus não realizou igualmente a distribuição dos dons de inteligência”.
A crítica é fútil porque coloca um homem na defensiva, e usualmente, faz com que ele se esforce para justificar-se. A crítica é perigosa porque fere o precioso orgulho do indivíduo, alcança o seu senso de importância e gera o ressentimento.
B. F. Skinner, o mundialmente famoso psicólogo, através de seus experimentos demonstrou que um animal é recompensado por bom comportamento aprenderá com maior rapidez e reterá o conteúdo aprendido com muito maior habilidade que um animal que é castigado por mau comportamento. Estudos recentes mostram que o mesmo se aplica ao homem. Todas as vezes que um de nós tiver que criticar alguém lembremos que: “As críticas são como pombos, sempre voltam aos pombais”. Tenhamos em mente que a pessoa a quem vamos criticar e condenar, provavelmente se justificará e, por seu turno, nos condenará.
Abraham Lincoln dizia: “Não julgueis, se não quiserdes ser julgados” e “Não os critiquem; são eles exatamente o que nós seríamos sob idênticas condições”.
As criticas violentas e as repreensões redundam sempre em futilidade. Então antes de criticar alguém façamos as seguintes perguntas: Como eu resolveria este problema? Que faria eu em seu lugar?
Você conhece alguém a quem deseja modificar, aconselhar e melhorar? Excelente! Isso é muito bom. Mas primeiro lembre-se: Por que não começar por si mesmo? De um ponto de vista eminentemente egoísta é muito mais proveitoso do que experimentar melhorar os outros e um pouco menos perigoso. “Não se queixe da neve no telhado da casa do seu vizinho, quando a soleira da sua porta não está limpa”, disse Confuncio.
Se nós quisermos evitar amanhã um ressentimento que poderá prolongar-se por décadas e durar até a morte, sejamos tolerantes e não critiquemos, pois assunto nenhum justifica a crítica. Quando tratarmos com pessoas, lembremos-nos sempre de que não estamos tratando com criaturas de lógica. Estamos tratando com criaturas emotivas, criaturas suscetíveis as observações norteadas pelo orgulho e pela vaidade.
Benjamin Franklin, disse: “Não falarei mal de nenhum homem e falarei tudo de bom que souber de cada pessoa”.
Qualquer idiota pode criticar, condenar e queixa-se e a maioria dos idiotas faz isso. Mas é preciso ter caráter e autocontrole para ser complacente e saber perdoar. Na opinião de Carlyle, “Um grande homem demonstra sua grandeza pelo modo como trata os pequenos”.
Vamos ler agora um clássico do jornalismo norte-americano, “Father Forgets” (“O Pai Perdoa”).


O Pai Perdoa

Escute filho: enquanto falo isso, você está deitado, dormindo, uma mãozinha enfiada embaixo do seu rosto, os cachinhos louro molhados de suor grudado na fronte. Entrei sozinho e sorrateiramente no seu quarto. Há poucos minutos atrás, enquanto eu estava sentado lendo meu jornal na biblioteca, fui assaltado por uma onda sufocante de remorso. E, sentindo-me culpado, vim para ficar ao lado de sua cama.
Andei pensando em algumas coisas, filho: tenho sido intransigente com você. Na hora em que se trocava para ir a escola, ralhei com você por não enxugar direito o rosto com a toalha. Chamei-lhe a atenção por não ter limpado os sapatos.
Gritei furioso com você por ter atirado alguns de seus pertences no chão.
Durante o café da manhã, também impliquei com algumas coisas. Você derramou o café fora da xícara. Não mastigou a comida. Pôs o cotovelo sobre a mesa. Passou manteiga demais no pão. E quando começou a brincar e eu estava saindo para pegar o trem, você se virou, abanou a mão e disse: “Chau Papai!” e, franzindo o cenho, em resposta lhe disse: “Endireite os ombros!”
De tardezinha, tudo recomeçou. Voltei e quando cheguei perto de casa vi-o ajoelhado, jogando bolinhas de gude. Suas meias estavam rasgadas. Humilhei-o diante de seus amiguinhos fazendo-o entrar na minha frente. As meias são caras. Se você as comprasse tomaria mais cuidado com elas! Imagine isso, filho, dito por um pai!
Mais tarde, quando eu lia na biblioteca, lembra-se de como me procurou, timidamente, uma espécie de mágoa impressa nos seus olhos? Quando afastei meu olhar do jornal, irritado com a interrupção, você parou à porta: “O que é que você quer?”, perguntei implacável.
Você não disse nada, mas saiu correndo num ímpeto em minha direção, passou seus braços em torno do meu pescoço e me beijou; seus braços foram apertando com uma afeição pura que Deus fazia crescer em seu coração e que nenhuma indiferença conseguiria extirpar. A seguir retirou-se, subiu correndo os degraus da escada.
Bom, meu filho, não passou muito tempo e meus dedos afrouxaram, o jornal escorregou por entre eles, e um medo terrível e nauseante tomou conta de mim. Que estava o hábito fazendo de mim? O hábito de ficar achando erros, de fazer reprimendas; era dessa maneira que eu o vinha recompensando por ser uma criança. Não que não o amasse; o fato é que eu esperava demais da juventude. Eu o avaliava pelos padrões de minha própria vida.
E havia tanto de bom, de belo e verdadeiro no seu caráter. Seu coraçãozinho era tão grande quanto o sol que subia por detrás das colinas. E isto eu percebi pelo seu gesto espontâneo de correr e dar-me um beijo de boa noite. Nada mais me importa nesta noite, filho. Entrei na penumbra de seu quarto e ajoelhei-me ao lado de sua cama, envergonhado!
É uma explicação inútil; sei que, se você estivesse acordado, não compreenderia essas coisas. Mas amanhã eu serei um papai de verdade! Serei seu amigo, sofrerei quando você sofrer, rirei quando você rir. Morderei minha língua quando palavras impacientes quiserem sair pela minha boca. Eu irei dizer e repetir, como se fosse um ritual: “Ele é apenas um menino; um menininho”.
Receio que o tenha visto até aqui como um homem; mas, olhando-o agora, filho, encolhido e amedrontado no seu ninho, certifico-me de que é apenas um bebê. Ainda ontem esteve nos braços de sua mãe, a cabeça deitada no ombro dela. Exigi muito de você, exigi muito.

Em lugar de condenar os outros, procuremos compreendê-los. Procuremos descobrir por que fazem o que fazem. Essa atitude é muito mais benéfica e intrigante do que criticar; e gera simpatia, tolerância e bondade. “Conhecer tudo é perdoar tudo”.
Como disse o Dr. Johnson: “O próprio Deus, não se propõe julgar o homem até o final de seus dias; por que faríamos, você e eu?”

Princípio I
Não critique, não condene e não se queixe.